Perdas, Luto e Superação

As crianças e a morte

Comunicar a morte de alguém é sem dúvidas uma tarefa árdua. Quando se trata de criança, pior.

Os adultos tendem a negar a morte para as crianças justificando que elas nada sabem a respeito. Não raro, buscam poupar a criança do sofrimento por não saberem abordar o tema. É comum, ainda, dar explicações inadequadas, tais como “o papai do céu levou”, “ele fez uma viagem muito longa”, “ele esta dormindo” etc.

Explicações inadequadas irão contribuir para a elaboração dos significados de morte. Dessa forma, a ausência do ente querido pode ser encarada pela criança como abandono. Assim sendo, é importante abordar o tema dentro de uma dimensão assimilável de acordo com o desenvolvimento cognitivo da criança, utilizando palavras e experiências que possam ser compreendidas.

A dor gerada pela perda deve ser vivenciada no luto infantil. A criança deve esta inserida em todos os rituais referentes a morte. Um luto mal elaborado em uma criança pode desencadear prejuízos psíqusm beerdigung IIicos, sociais e emocionais, atraindo a necessidade de intervenções de profissionais habilitados.

Na verdade, o desenvolvimento infantil é permeado de perdas: o brinquedo que quebra, o animal de estimação que morre, a mudança de escola, um amiguinho que se mudou e etc. Nesse contexto, é comum e errado não ensinamos nossas crianças a trabalharem esses prejuízos emocionais. É censurável valorizar apenas os ganhos e ofuscar as perdas.

As reações das crianças frente ao óbito dependerá de fatores como o vínculo com o falecido, o tipo de morte (repentina ou não), o que será contado para ela, as oportunidades oferecidas de falar e perguntar sobre o assunto e as relações familiares antes e depois do falecimento abordado.

Lucélia Paiva, explica em, A arte de falar da morte para crianças que devemos proporcionar um espaço de aconchego, um clima de confiança, não subestimar a capacidade de compreensão das crianças, contar sempre a verdade e ser claro e direto.

Não existe idade para sofrer mais ou menos. Não há palavras mágicas na hora de abordar uma criança sobre a morte. O que realmente importa para a elaboração do luto infantil é a qualidade do apego e do suporte que a criança precisa, o que está umbilicalmente ligado ao ambiente familiar.

Karoliny Lima Damasceno
Psicóloga – Teresina – Piauí
Perdas, Luto e Superação
www.karol.psc.br

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